Afinal, a Apple é maior que o Brasil?

Na semana passada tivemos duas notícias que mostram o resultado no longo prazo das escolhas mal feitas no Brasil. A primeira é de que o valor de mercado da Apple ultrapassou o valor do PIB do Brasil em dólar e a segunda que o Mercado Livre é a maior empresa da América Latina, também em valor de mercado, ultrapassando Petrobras, Vale, Itaú, etc. Sem sombra de dúvidas, as duas manchetes são bem impactantes e nos fazem pensar sobre quais foram as escolhas das políticas socioeconômicas que fizemos nas últimas décadas para que o valor produzido por 210 milhões de pessoas tivesse a equivalência numérica de uma empresa privada, assim como uma empresa de intermediação de vendas entre pessoas tenha mais valor do que uma petroleira que já foi a terceira do mundo ou que a mineradora líder ou a um banco grande e sólido.

Em primeiro lugar destaco que Apple e Mercado Livre são representantes da nova economia baseada na tecnologia e Inovação, segmento que vem crescendo muito no Brasil nos últimos cinco anos, mostrando que o nosso país possui sólido e atraente mercado consumidor e capital intelectual capaz de desenvolver negócios nacionais, regionais e até globais, como vimos com o desenvolvimento das unicórnios brasileiras. Entretanto isso não teve a devida atenção das políticas públicas de fomento a novas empresas de tecnologia e inovação, assim como o ambiente de negócios favorável não avançou na mesma velocidade dos demais países, como podemos ver a cada ano no Ranking do Doing Business. O ambiente de negócios no Brasil ainda é altamente burocratizado, com um sistema tributário complexo e caro, a mão de obra qualificada ainda é concentrada e em muitos casos vão procurar melhores oportunidades fora do país. De maneira geral o Brasil negligenciou seus potenciais futuros em função de suas antigas fontes de emprego e renda do século passado. Hoje vemos um emaranhado de renúncias ficais e créditos subsidiados em agrados e benesses para poucos setores com justificativas nada transparentes ou racionais e a crescente penalização da grande maioria da atividade produtiva no Brasil que paga a conta.

O modo como o Estado brasileiro se moldou para ajudar apenas aos seus amigos, as custas de todos os demais, implicou nesta letargia da nossa economia que tem como resultado um país populoso com alta concentração de renda, baixa produtividade geral, PIB per capita modesto, culminando em um modelo de Estado Salvador da Pátria, sob o argumento da justiça social e que acaba intervindo fortemente na economia, o que acaba gerando mais endividamento para pagar os crescentes déficits, retroalimentando assim as distorções citadas.

O único jeito de promover a Prosperidade do Brasil é pelo aumento sustentável da renda, através da melhora do acesso as oportunidades, ou seja, termos um ambiente de negócios que fomentem negócios de alto valor agregado, negócios inovadores, que aumente a concorrência, ofertando melhores empregos com melhores salários, investimento inteligente na Educação e capacitação, prover melhor e maior segurança jurídica, a simplificação tributária, a simplificação de processos administrativos, a necessária redução da máquina pública com os cortes de privilégios (renúncias tributárias, acumulo de vencimentos do setor público, subsídios creditícios, etc) e um amplo processo de Privatizações e Concessões públicas para fomento de investimento privado nos gargalos estruturais do país.

Isso tudo leva tempo, em alguns casos, como da Educação, gerações, só que alguém precisa começar a endereçar essas questões de maneira firme e não mais da boca para fora em época de campanha. Sem esse comprometimento por agendas de Reformas que deem foco no Estado voltado para as áreas essenciais, continuaremos a ver pouco Progresso nas próximas décadas e veremos outras empresas com valor de mercado acima do nosso PIB, mesmo a gente sabendo que nosso potencial é absurdamente maior do que o que conseguimos produzir hoje.

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