Como será a vida pós Covid?

6 Tendências para o “NOVO NORMAL” de empresas, emprego e sociedade no mundo pós Covid-19.

A Covid-19 transformou de forma definitiva o nosso dia a dia, e seus impactos sobre as formas de trabalho, a economia e a convivência social estão apenas começando. Mas como será quando superarmos o ápice e nos estabilizar em um “novo normal”? 

Provavelmente serão caminhos de adaptação e manejo social cauteloso. É a “fina camada de gelo”, como apontam cientistas internacionais, que separa o colapso do sistema de saúde do cenário de controle e “convivência com o vírus”, termo usado na Itália para os atuais planos de flexibilização da quarentena. 

Apresento abaixo 7 tendências para o cenário das empresas, empregos e a sociedade em geral.

1- Educação à distância e inclusão digital

O ensino a distância e a necessidade de inclusão digital será uma realidade do mundo “pós Covid”, e por isso devem se expandir rapidamente. Com a necessidade do distanciamento social, novas ferramentas e metodologias de educação online, além de iniciativas e grupos de apoio para inclusão digital da população poderão surgir para auxiliar na transformação do aprender e ensinar a distância. 

Todas as classes escolares, do ensino infantil as teses de doutorado, serão impactadas pela Covid19. O “novo normal” da educação será cada dia mais virtual e tecnológico, necessitando prestar apoio especial referente a inclusão digital da população mais carente e idosa.

Muitos irão recorrer aos cursos online para aprender uma nova profissão em busca de melhores perspectivas de renda. O mercado de TI e a área de programação são exemplos de mercados que estão crescendo durante a pandemia e promovendo muitas oportunidades de emprego, porém sem profissionais suficientes para preenchê-las. 

As transformações promovidas pela Covid-19 nos indicam que todo sistema educacional provavelmente deverá ser adaptado ao ensino à distância, reduzindo relações sociais entre os alunos e ampliando o acesso à educação, porém com grandes desafios de promover a inclusão digital da população mais socialmente vulnerável.

2- Sociedade da automação, robótica e inteligência artificial

Com a necessidade de distanciamento social e os impactos econômicos da Covid19, as fábricas e empresas do mundo buscarão ao máximo a automação de seus processos e a independências da força de trabalho presencial. Com as indústrias e empresas cada dia mais inteligentes e autônomas poderá haver um grande salto em produtividade e eficiência dos processos industriais.

A inteligência artificial e a robótica estarão cada dia mais presentes no cotidiano das empresas, comércios e fábricas. Provavelmente veremos nos próximos anos a multiplicação de diversos modelos e aplicabilidades de robôs. Seja em hospitais, casas de idosos, hotéis, comércios, aeroportos, rodoviárias ou até mesmo na segurança patrimonial, o mercado de “robôs inteligentes” deve se aquecer e estimular novos produtos e soluções. Muitas startups e negócios inovadores deverão surgir com soluções para esta nova realidade, tornando o acesso a este mercado cada dia mais possível a classes de rendas menores. 

O crescente interesse da sociedade pelo tema deve também estimular a criação de cursos na área, favorecendo a criação de novas carreiras e postos de trabalho com diferentes competências e habilidades.

3- Vida em delivery e “sociedade bluetooth”

Muitos comércios, serviços e atividades empresariais serão estimuladas a se adaptar para o atendimento porta a porta, e devemos viver em uma sociedade cada dia mais “sem toques”, cada dia mais “bluetooth”. Especialmente nos grandes centros urbanos devemos ver crescente uso de sensores de presença e todo tipo de tecnologia que diminua toques humanos, desde a abertura de portas, pagamentos por sensores até o acionamento de elevadores, por exemplo. 

Para atender uma demanda crescente da população não apenas as entregas de produtos serão favorecidas, mas também a realização de serviços porta a porta. Muitas empresas começarão a adaptar seus processos para atender na casa de seus clientes. Todo esse movimento deve se iniciar como um “diferencial” de algumas empresas e em breve deve ser tornar o “novo normal” do mercado.  

Drones também devem ser impulsionados na tarefa de realizar entregas de mercadorias, insumos médicos e diferentes atividades no cotidiano. Além de poderem ser utilizados também para dispersão de aglomerações, monitoramento e checagem visual de pontos específicos das cidades. 

Os aplicativos de mobilidade urbana, como Uber e 99, devem se tornar um dos maiores “empregadores” da sociedade com pessoas em busca de incremento de renda. A economia do compartilhamento provavelmente será elevada a um nível nunca visto na sociedade, e todo tipo de recursos, serviços e propriedades poderão ser compartilhado em portais especializados.

4- Trabalho em home office e revolução digital

O “novo normal” do emprego será pautado pelo trabalho a distância e o uso de múltiplas ferramentas digitais. As reuniões presenciais serão realizadas apenas em real necessidade, e equipes que trabalhavam de segunda a sexta presencialmente irão se adaptar para poucos encontros presenciais periódicos, para tratar do que é fundamental. Muitos deslocamentos urbanos e intermunicipais serão substituídos por videoconferências, reduzindo o tráfego e a poluição atmosférica. 

Haverá um grande “amadurecimento digital” das empresas e também das pessoas trabalhando em home office. Veremos muitas novas metodologias de gestão e guias, cursos e “manuais” serem criados para auxiliar pessoas e empresas a trabalharem com produtividade, mesmo à distância. 

A relação familiar tende a passar também por grande transformação, uma vez que a realização do trabalho em ambiente compartilhado com filhos e família representará uma ruptura no distanciamento vivenciado em muitas famílias, com pais ou mães que “saem cedo e voltam tarde.” Com esta mudança padrão de consumo também tende a se alterar. 

As grandes aglomerações que hoje vemos nos “horários de pico” devem ser tornar cada dia mais distribuídas ao longo do dia, devido ao crescente número de pessoas trabalhando por produtividade, com maior flexibilidade de horários. Muitos poderão consumir ou se divertir de manhã e trabalhar a noite, por exemplo. 

Os trabalhos que exigem relações internacionais também tendem a se acelerar e passar por grande transformação, uma vez que as dificuldades e riscos de deslocamentos intercontinentais irá impulsionar enormemente as soluções digitais a distância. 

Para as atividades essenciais e de menor escolaridade a realidade pouco mudará. Pedreiros, empregadas domésticas, lixeiros e profissionais do comércio adotarão maior distanciamento social e equipamentos individuais de proteção, porém devem continuar normalmente suas rotinas presenciais.  

5- Estímulo à sustentabilidade e a “economia verde”

Ainda em 2019, em um mundo “pré-Covid”, o maior fundo de investimentos do mundo, Black Rock, por meio de seu CEO, Larry Fink, já escrevia a “Carta por Propósito” colocando no centro das organizações a necessidade da gestão e pensamento em sustentabilidade e busca pelo propósito. O mundo já acompanhava o crescimento das “empresas sustentáveis” e dos chamados “fundos de investimento de impacto”, que investem o equivalente mais de um trilhão de reais por ano apenas em empresas comprometidas em também gerar resultados em sustentabilidade.

O “novo normal” deverá ser de grande impulso para a chamada “economia verde” e empresas promotoras de soluções para a sociedade, que utilizam menos recursos e podem ser aplicadas e geridas localmente. O mercado em geral dará mais valor para a produtividade, a eficiência e sustentabilidade dos processos produtivos. Por exemplo, a indústria de combustíveis fósseis sofrerá perdas, dando lugar às novas tecnologias com energias mais sustentáveis.

A sociedade irá reduzir seus movimentos, as fábricas terão cada dia menos pessoas empregadas (e mais robôs) e muitas atividade estarão adaptadas para acontecerem à distância. Aos poucos serão fechados os caminhos para empresas e negócios que podem pôr em risco um mundo com poucas margens para falhas.  

A forte recessão econômica e a necessidade de ações coordenadas de saúde pública por todos os países para um alvo comum, poderão estimular debates sobre novos indicadores de crescimento para nortear países e investidores. 

Esta tendência será mais intensa em países que já alcançaram maior maturidade de cobertura social do Estado. Países como o Brasil com grandes problemas sociais, falta de saneamento básico e educação terão mais dificuldades para mudar a cultura econômica.

6- Expansão das redes de voluntariado

Já temos visto números recordes de doações e pessoas participando de iniciativas voluntárias, e todo este cenário deve se fortalecer com a necessidade de forças de trabalho emergenciais em diferentes áreas, especialmente para trabalhos assistencialistas à população carente, à área médica/científica e em setores sensíveis e essenciais da sociedade. Esta expansão das redes de voluntariado devem aproximar as empresas das organizações de Terceiro Setor. 

Provavelmente será cada dia mais comum presenciarmos empresas e pessoas se alistando em projetos sociais. Este crescente movimento  de estímulo ao voluntariado irá ampliar o senso de propósito de empresas e pessoas, contribuindo para um novo entendimento sobre a importância das ações de responsabilidade socioambiental.

O “Novo Normal” deve contribuir, ao longo dos anos, para uma cultura com bases mais coletivas e direcionadas ao bem-estar social, em substituição gradual do antigo modelo pautado pelo individualismo. A nível global, esta tendência poderá contribuir com o fortalecimento de redes de proteção e amparo social, provocando a diminuição da desigualdade e a adoção de políticas públicas e empresariais que contribuirão para a melhoria de qualidade de vida e de dignidade humana.

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