NOVO CORONAVÍRUS – O que podemos aprender com os outros países?

A crise do novo coronavírus nos apresenta um dilema social muito grave do ponto de vista dos responsáveis pelas políticas públicas. Por um lado, temos um vírus com alto poder de propagação e contaminação entre pessoas fisicamente muito próximas umas das outras e, de outro, pessoas que trabalham diariamente para colocar comida em suas mesas. Esse dilema entre priorizar a vida ou o emprego é uma preocupação mundial e não apenas no Brasil. É preciso entender como cada país está lidando com a situação para termos uma resposta mais concreta sobre nossos próximos passos. Cuidar das pessoas, seja salvando vidas, seja protegendo o emprego, são questões centrais e prioritárias em momento de pandemia.

Ações rápidas de prevenção – primeiro caminho para combater o avanço da Covid-19 

As ondas de contágio que começaram na China e Ásia, passando pela Europa e que agora atinge fortemente as Américas, mostram como o contágio é rápido e amplo ao atingir de países desenvolvidos aos não desenvolvidos com a mesma intensidade. A pandemia paralisou o mundo todo em menos de três meses. Entretanto, a experiência dos países asiáticos como Cingapura, Coréia do Sul e Japão nos mostra que é possível lidar no início da crise de maneira mais cirúrgica com uma atuação governamental coordenada, ágil e com uso da tecnologia. 

Analisando os casos desses países asiáticos vemos que a atuação rápida e organizada do governo central possibilitou aplicar testes em massa na população para detectar os portadores da Codiv-19 e as pessoas que tiveram contato com os contaminados, promovendo o isolamento social dos infectados e internação para os casos mais graves. Além disso, as autoridades fecharam as fronteiras e aumentaram o rigor no acesso de entrada e saída do país. Utilizaram a tecnologia a seu favor para que as quarentenas pontuais – para os contaminados e suspeitos/em observação – pudessem ser fiscalizados em tempo real, desde o compartilhamento em plataforma aberta de dados, de acordo com sua posição pelo GPS do celular ou pulseira de identificação, até o envio diário de informações por apps da temperatura ou consultas por meio remoto. Se algum cidadão deixa de fazer o controle diário, o governo pode punir com multa ou até mesmo prender quem desobedecer a quarentena. 

Por último, em escalas diferentes, os países asiáticos também utilizaram medidas de distanciamento social para evitar ao máximo as aglomerações públicas. Mesmo quando analisamos o caso do Vietnã, que retirou da linha da pobreza 45 milhões de pessoas nos últimos 20 anos – mas que ainda possui uma renda per capita baixa (US$ 2,5 mil) e com uma modesta rede de médicos (um quarto da rede italiana) – conseguiu controlar o contágio adotando medidas rápidas, práticas e baratas, como fechamento das fronteiras para estrangeiros, quarentena local, fechamento de escolas e isolamento de residentes que vinham do exterior por duas semanas.

A experiência do surto de SARS-Cov – síndrome respiratória aguda grave em 2003, fez com que países asiáticos tivessem histórico dessa síndrome em pacientes e pudessem construir estratégias mais ágeis baseadas em evidências, ou seja, criaram um banco de dados com as melhores práticas, aprendendo assim com as lições do passado. Esse aprendizado fez com que as curvas de contágio na Ásia fossem mais brandas (curva achatada) e, já no início da epidemia não comprometesse o sistema de saúde com mais doentes do que a capacidade de leitos e médicos instalados. Esse passo é super importante para que o governo não precise fazer gastos emergenciais para ampliação de leitos e sim investir em ações de prevenção, mitigando os riscos para a população e de colapso do sistema de saúde. 

As lições desses países: promover rapidamente as ações preventivas, como testes em larga escala para isolar contaminados e suspeitos, uso intensivo da tecnologia na quarentena e reduzir a circulação de pessoas nas ruas são ações comprovadas para combater a crise.

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